abril 25, 2012

Mundo Novo

Antes de começar o post, devo avisar que eu tenho uma mente extremamente  um pouco confusa e provavelmente esse será um post não-conclusivo. Recomendado pra pessoas que queiram refletir ou estejam em profundo tédio, sem nada melhor pra ler. Se você espera conclusões brilhantes, sinto te decepcionar :T

Há muito tempo eu li Ismael (um livro ótimo, por sinal... seu sucessor, "A História de B" nem tanto) e esse livro me ajudou a perceber que quando nós estamos dentro de uma realidade, é difícil (ou quase impossível) enxergar essa realidade pelos olhos de alguém que não faz parte dela. Por exemplo, muitas vezes usamos a expressão "mitologia grega" numa boa, mas se alguém dissesse "mitologia cristã" eu ia querer ver o fuá que ia ser. Quer dizer, pra quem olha de fora, a religião pode ser mito e vice-versa.

Tirei essa foto no momento em que comecei a ler o livro (não leio prefácios). Eu tinha oito livros na mochila, emprestados de uma amiga, que eu estava indo devolver. Por falta de tempo, não consegui ler nenhum dos oito, e "renovei o empréstimo" desse pra ler.


E então há pouco tempo eu li Admirável Mundo Novo. O cenário é meio chocante, os valores são invertidos, monogamia é imoral e o pensamento individual é visto com maus olhos. Você lê e pensa "Que absurdo! Quanto retrocesso! Poligamia? Ai, cadê meus sais?".
E daí eu te pergunto: em que mundo nós vivemos? Num mundo monogâmico? Num mundo cheio de cabeças pensantes, com senso crítico apurado, dificilmente manipuláveis? Ah tá.

Um outro dia eu percebi que as pessoas ao meu redor - e também eu mesma - estão se afastando cada vez mais dos sentimentos intensos. É claro que uma dose de vodca pura (pra não citar nada mais pesado) é bem intensa. Mas emoções intensas. Porque machuca. Machuca sentir demais. A ressaca também machuca, mas nem se compara à dor que uma emoção forte pode causar. E então a gente se fecha e foge das emoções fortes pra não sentir dor. "Ah, eu me apaixonei por ele e ele não gosta de mim? Tudo bem, porque só pra garantir tratei de me apaixonar por outro enquanto isso. Ah, uma mulher que roubou um pote de manteiga foi condenada a 4 anos de prisão? Que chato, mas nossa! Tem uma liquidação no shopping!"
É assim no Admirável Mundo Novo. Tudo é milimetricamente calculado sem espaço pra erros, a Sociedade é perfeita e não há conflitos porque não existem fortes emoções. Ninguém briga, ninguém se magoa, é sempre tudo calmo e ninguém nunca está triste. Mas ninguém nunca está feliz. Ninguém pensa.
Eu sei que é mais fácil viver assim, sem sofrer, não dando muita importância pra nada nem ninguém. Economiza muita frustração e dor de cabeça, mas até que ponto é bom vendar os olhos, ligar o botão do foda-se e levar a vida no piloto automático?

Será que esse Mundo Novo é tão Admirável assim?

(Juro que comecei a escrever com uma idéia totalmente contrária a essa na cabeça, mas meus dedos têm vida própria e escrevem sozinhos, juro.)


Músicas que podem ter inspirado esse post:


Dreams - Fleetwood Mac
The Sound of Silence - Simon & Garfunkel
Submarine (não é uma música, mas)


PS.: Admirável Mundo Novo é um livro ótimo. Leiam!

Um comentário:

Emi disse...

Admirável Mundo Novo é um dos meus livros preferidos. E é por aí mesmo, sabe? A gente lê o livro e fica surpreso com aquele mundo. Só depois que terminamos é que começamos a refletir como em vários aspectos estamos próximos daquilo.
O exemplo que você citou mesmo... Lembro que em uma aula de filosofia eu comentei sobre o cristianismo assim, citando que podia ser considerado como mitologia, e quase fui crucificada em sala de aula. haha
Mas é isso... estamos sempre tão mergulhados e deslumbrados com nosso próprio mundo, nossa época e nossas crenças que não somos capazes de nos questionarmos (ou não achamos que é permitido). Não somos capazes de enxergar de longe, mas às vezes nem é por não querermos, mas por não estarmos preparados mesmo.
E seguimos com nossas vidinhas vazias... :~

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